Texto: Nicholas Bié.

O senso comum associa santidade na juventude a um comportamento geográfico, com determinada cultura, ou ainda, com mentalidade tradicionalista, pois, deixamos que preconceitos pessoais se manifestem e a definam arbitrariamente, com ideias parciais de uma religião exterior, e não com uma atitude espiritual interna, construída com diálogos.Paulo não deixou os desejos ditarem seu comportamento (1 Co 9:24-27).

Para não sermos expostos, como quem prega uma verdade sem vivê-la, defendemos um estereótipo teológico bem preparado, mas, muitas vezes sem a reponsabilidade e o temor de Paulo, deixando brechas no conceito da santidade. Nossos jovens de 18-25 anos se posicionam sobre o cenário. Os meninos, na maioria, dizem não estar à vontade com o assunto. Já as meninas falaram mais abertamente do tema.

Membro da PIB São Miguel Paulista, Andressa Diniz (23) disse que valores do relacionamento cristão não mudaram, mas, hoje se negocia princípios e o namoro é permissivo, busca desejos do corpo, e mesmo com a preocupação do testemunho no namoro cristão, e a repulsa pelos relacionamentos “full-time” (o “ficar”), para um prazer momentâneo sem compromisso, a promiscuidade é vista entre nossos jovens. Na opinião dos jovens (homens e mulheres) entrevistados pela liderança da JUBESP sobre este assunto, os relacionamentos prolongados ocasionados pela necessidade de formação e estabilidades profissional e financeira, geralmente levam a intimidade que substitui a santidade, por relações quase matrimoniais.

Pastor e psicanalista, Juliano Machado, ministro na Igreja Batista El Shaddai de Campinas, especializado em trabalho com adolescentes e jovens, concorda com análise, fundamentando que a modernidade é quem determina o modelo dos relacionamentos juvenis, principalmente quando fundamentados no individualismo característico dessa geração, na idéia de ter tudo pronto antes do casamento, excluindo o conceito da construção conjunta.

Para enfrentar essas realidades, jovens e pais apontam o diálogo saudável nesta área, discutido em família e incentivado pelas igrejas locais, como contraponto ao que ocorre em muitos ambientes escolares, profissionais, e de amizades, onde valores de santidade do jovem são inibidos pelo estereótipo da sexualidade empregado nesses contextos quando não cristãos, ou até cristãos, mas que não edificam os relacionamentos.

Presidente da JUBESP, Jonatas Oliveira aponta como um dos desafios atuais, preservar a santidade, onde pecado não está mais somente no sexo antes do casamento, mas também na preocupante e crescente promiscuidade homoafetiva nas igrejas e em ambientes com viés político ideológico e revolucionário. Pastor Juliano acrescenta que é preciso que os nossos jovens sigam em busca de Deus efetivamente e de uma vida santa na sua sexualidade, aprendendo esses princípios desde crianças, sendo instruídos a se absterem das influências de fora das igrejas locais, seja em blogs, redes sociais, ensino secular. Para ele, essa questão é combatida por uma mudança de vida, ou passam a se fundamentar em teologias liberais e libertárias para abrigar seus pecados com conforto.

O pastor conclui alertando que se as igrejas, os pastores e os líderes não se aplicarem para entender a atual geração, e não buscarem estar preparados para dialogar adequadamente sobre temas latentes como a sexualidade, a promiscuidade, a homossexualidade e a santificação antes do casamento, o cenário tende a piorar com o tempo.,

Revista BATISTAS-SP, ano 02, edição 08 (Abr. Mai. 2018)