O tema mais mencionado no mundo todo tem sido a respeito de um micro- -organismo conhecido como Coronavírus. Corona é uma família de vírus causadores de doenças respiratórias que, vistos em um microscópio, têm pontas que lembram as de uma coroa – daí seu nome.

O corona tem se apresentado em diversas versões nos últimos tempos, por isso se fala em “novo” Coronavírus. Do ponto de vista da infectologia, se diz que este vírus é um pacote microscópico de material genético envolto por uma camada de gordura e proteína com um milésimo do tamanho de um fio de cabelo humano. É um vírus letal, chamado tecnicamente de Sars-CoV-2 e se espalhou por quase todos os países e infectou mais de 2 milhões de pessoas (até 17 de abril de 2020) desde que foi identificado em dezembro de 2019 na China. A doença por ele causada é conhecida por COVID-19, com efeitos respiratórios até fatais em muitos casos.

Estudos demonstram que este vírus tem elevado nível de propagação e letalidade, mas que, por outro lado, é de fácil enfrentamento, bastando evitar contatos próximos com pessoas infectadas, lavar bem as mãos etc. Um dos procedimentos para que se evite a propagação do vírus tem sido o isolamento social. Isso tem provocado reações diversas, especialmente na área política, mas também econômica com resultados graves como desemprego, ampliação do subemprego, redução salarial, queda de ações nas Bolsas de Valores, em que se avizinha grave recessão econômica mundial que exigira anos de recuperação.

No cenário religioso não é diferente, pois quase todas as práticas religiosas acabam dependendo da presencialidade das pessoas. Desde a participação nos cultos, na liturgia nos templos (que foram confundidos com “a Igreja”), atividades, programações, eventos etc. Temas estes que já tratei no artigo anterior. Hoje, a nossa preocupação será com o que vamos ter diante de nós no cenário após o término do isolamento social, que chamei de “Day After”. Esta expressão vem de um filme de 1983 em que se busca retratar o que aconteceria no dia seguinte (Day After, em Inglês) a um possível ataque da Rússia com bomba atômica na região de Kansas, nos Estados Unidos, onde, na época havia grande volume de silos de mísseis atômicos de longo alcance, se fosse destruída num ataque da Rússia.

Penso que o mesmo se aplica a nós hoje, claro, sem bomba atômica, mas com o isolamento terminando. Como seremos no dia seguinte a isso no cenário religioso? O quanto estaríamos fragilizados e fortalecidos?

O quanto nossas crenças e práticas religiosas foram abaladas e fragilizadas ou ressignificadas? Como nos sentiremos, quais prioridades redescobriremos, o que vamos deixar de priorizar? Como valorizaremos a convivência? Vou procurar resumir algumas tendências que já podemos prever e quais cenários serão o resultado.

O objetivo é dar suporte aos colegas e líderes para que possam desempenhar, com mais eficiência, eficácia e efetividade seu ministério de suporte ao povo de recebeu de Deus para cuidar em suas igrejas e comunidades. Transformações no “ir à Igreja”. Com a impossibilidade de reunir presencialmente os membros da igreja, a opção foi adotar cultos, reuniões virtuais por meio de diversos recursos digitais. Foi necessário redescobrir que Igreja precisa de templo para facilitar as reuniões, mas Igreja não é o templo, é mais do que isso. Daqui surgem outros indicadores; Então posso cultuar em minha casa mesmo? A sala de minha casa também é um “lugar santo”?

Isso pode nos dar a oportunidade de demonstrar que a vida cristã é de tempo integral (Lucas 9.23 – “a cada dia”) e não apenas quando restrita no templo e no domingo. Onde estivermos, somos cristãos (seguidores de Cristo), nossas decisões a cada momento são desafiadas a seguirem os valores cristãos. Mas também nos ajudará a superar a dicotomia do dia santo (domingo) e que os demais sejam profanos; Centralidade das ações no domingo e no templo: avançando um pouco mais, será necessário compreender que, com o isolamento social, não foi possível levar em conta especialmente a centralidade das atividades, programas, estrutura e eventos no templo ou sede da igreja.

Fiz um estudo, que ainda não me encorajei a publicar pelas descobertas de campo que obtive, que muitos crentes, imaginam esse espaço como algo sagrado e que quando atuamos ali de fato há legitimação em que fazemos para Deus. Agora, com a ausência de acesso a este espaço, o que está substituindo essa compreensão na mente das pessoas? No artigo passado investi tempo para demonstrar que, pela Revelação Progressiva, Jesus e Paulo superaram esse conceito. Então, necessitamos redescobrir nas Escrituras o real sentido de tudo isso e desnudar o real significado do que seja Igreja, adoração, sagrado etc.

Depois disso, será possível aproveitar a oportunidade para demonstrar às pessoas que elas possuem dons de serviços a serem aplicados não apenas nas atividades que ocorrem no templo, mas fora dele, no convívio pessoal, serem úteis ao mundo à sociedade por meio de vida significativa a qualquer momento, não apenas num dia da semana; Fidelização à Igreja e ao pastor da Igreja pode ter sido fragilizada em casos em que não havia atenção pastoral cuidadosa, profundidade nas mensagens, e o trato respeitoso às “ovelhas” por meio de autoritarismo ou algo assemelhado. Isso porque, com o isolamento social, as pessoas estão tendo acesso virtual a outros expositores da Palavra, que poderão estar indo mais a fundo na abordagem bíblica, com linguagem acessível, que fala mais perto do seu cotidiano, que traz respostas para suas inquietações etc.

No trato deste assunto, um dos meus alunos foi certeiro: “professor, se eu der um cuidado pastoral de fato, esse afastamento não vai ocorrer, pois quem eu vejo nos links do YouTube não vai me visitar num hospital, nem me acolher com um abraço carinhoso”. Bingo! Isso mesmo. Se algum colega optou pelo exercício diferente deste, será o momento de pedir perdão à sua Igreja e ressignificar seu ministério e o trato de suas “ovelhas”, afinal são “ovelhas”. Fragilização do conceito clerical: com a impossibilidade do pastor estar presente, até mesmo em visitas hospitalares, em funerais, o crente teve de descobrir que ele mesmo precisou e pode ministrar.

Dizemos que o crente foi “empoderado”. Um pai de família, uma esposa, um filho, seja quem for, teve de assumir o cenário espiritual do lar e pode ter descoberto que ele como “leigo” é também do povo de Deus (no grego do NT “leigo” vem de “laikos”, alguém do povo), que todos são o povo de Deus, que Deus também o ouve, que não precisa de intermediários. Afinal, o princípio da Reforma Protestante do “Sacerdócio dos crentes” está sendo agora recuperado. Agora caberá aos pastores aprenderem conceitos, talvez novos para alguns, como de “stakeholders”, muito presentes no trabalho colaborativo que aponta para parcerias. O membro da Igreja poderá deixar de ser um “servo fiel, obediente e contribuinte” para ser considerado como parceiro. Princípios nobres da liderança como “empowerment” poderão ser utilizados com grande sucesso. A ênfase na descoberta dos dons de serviço deverá ser prioridade, também nos talentos pessoais.

Liderança colaborativa, colegiada, poderão ser a tônica. Outros temas, como a situação financeira das pessoas e das igrejas que exigirá replanejamento, criatividade etc. O espaço terminou, outras tendências poderíamos mostrar, mas estas já dão sinais de novos caminhos. No Kanji (sistema chinês de ideogramas usado pelos japoneses) tem uma palavra com dois ideogramas para “crise” – Wei-ji – o primeiro ideograma (Wei) significa “risco, perigo”, o outro (ji), oportunidade. Estamos enfrentando um risco gigantesco, mas podemos aprender e descobrir novas oportunidades.

Com certeza, no Day After seremos diferentes, você, pastor, sairá vencedor ou derrotado a depender de como está se saindo em redescobrir as verdades bíblicas, as ressignificações culturais religiosas e eclesiásticas que construímos ao longo da história, como vai replanejar sua vida e ministério. Em vez de sobreviver, vamos “SABERviver” nesse novo cenário que está surgindo.

Um mundo novo que requer nova mentalidade, com segurança bíblica. Você aceita o desafio? Se desejar entre em contato pelo WhatsApp (11)- 94596-6688. Teremos muito a conversar, tenho muitos materiais para lhe enviar

Prof. Dr. Lourenço Stelio Rega, Pr. Diretor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo – FTBSP.