A questão social é também questão de teologia. Durante os anos 1960 e 1970, um dos principais agentes politizadores do Brasil foi a Igreja Católica, principalmente pelas Comunidades Eclesiais de Base, que entraram nas periferias e sertões do Brasil com voz profética, denunciando as injustiças e mazelas do povo a partir de uma leitura libertadora das Escrituras. Daí a presença desta igreja em muitos movimentos sociais de trabalhadores sem terra, nas questões indígenas, e etc, firmando uma posição à esquerda para as políticas que visam apenas às questões do capital.

A partir dos anos 1980, com o crescimento do movimento evangélico, e seu discurso notadamente para uma “meritocracia teológica”, houve também uma conversão de formação política no país.

Via de regra, o protestantismo histórico é conservador politicamente falando, e seus derivados (o evangelicalismo americano, o pentecostalismo e o neo-pentecostalismo) mantém esta cultura, e pensa os estratos periféricos de nossa sociedade apenas como alvo de redenção espiritual, sem proposta (além da cesta básica oferecida pelo ministério de assistência social) para estas realidades.

Bom, isso é só pra explicar a divisão entre nossos irmãos. Ela não é apenas político/partidária. Ela é sim, teológica. Ela fala sobre como vemos a Deus, e como interpretamos as preocupações deste Deus com as questões dos nossos dias.

Por mais difícil que seja, é preciso respeitar o discordante, por um princípio bíblico claro e apartidário.

(Pr. Wanderlei Galbiatti. IB Memorial de Santa Bárbara d’Oeste – SP)imagem texto galbiatti